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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Flávio de Carvalho desveste a Moda Brasileira da Cabeça aos Pés

O MuBe apresenta até o dia 14 de novembro a exposição "Flávio de Carvalho desveste a Moda Brasileira da Cabeça aos Pés"  Flávio de Carvalho  foi um grande artista multidiciplinar brasileiro. Pintor, desenhista e arquiteto que dedicou sua vida a estudar a relação entre a moda e os movimentos artísticos entre os anos 30 e 50.


O resultado desse trabalho foi publicado semanalmente no suplemento feminino do Diário de São Paulo entre março e outubro de 1956. Seus textos são o primeiro estudo sobre moda produzida no Brasil.

As  peças desta mostra foram distribuídas de acordo com temas relacionados às partes do corpo: cabeça, cabelo, pensamento, sonho, visão geográfica, jóias, ombro, cintura, pernas, calça, pontas do corpo, bailado, sapatos e pés. Cada tema é representado por um conjunto de fotografias, que enfatizam aspectos que se repetem nos últimos 30 anos e outros que são de momentos isolados.

Cerca de duzentas imagens são utilizadas no total, extraídas dos acervos de diversos fotógrafos brasileiros. São fotos das décadas de 80, 90 e 2000 que retratam de forma ampla as transformações sociais sofridas na moda com imagens  atemporais  de grandes fotógrafos de moda como Bob Wolfenson, Gui Paganini, Jacques Dequeker, Daniel Klajmic, Klaus Mitteldorf, Thelma Vilas Boas e Vânia Toledo, entre outros.
Imperdível!





“Flávio de Carvalho desveste a Moda Brasileira da Cabeça aos Pés”

de terça a domingo, das 10hrs às 19hrs
Av. Europa, 218 – São Paulo – SP




Vestimo-nos para melhor nos mostrar. Ocultamos mais ou menos nossos corpos para comunicar quem somos, como gostamos de estar no mundo. Revestimos, embalamos, envelopamos nossos corpos para deixar claro que somos agressivos ou delicados, enigmáticos ou diretos, complexos ou simples, diferentes ou padronizados. Valemo-nos de roupas porque queremos chamar a atenção, passar despercebido ou alguma coisa no meio do caminho.. E qualquer caso for o nosso desejo, está claro que não vestimos apenas roupa: vestimos ideias.
Flavio de Carvalho

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Arquitetura + Dança

Vamos falar de dança!



Santiago Calatrava colaborou com o New York City Ballet para a temporada de Primavera 2010, criando o cenário de “Architecture of Dance”. Parceria perfeita, já que Calatrava parece dar movimento às suas criações, desafiando a gravidade e oferecendo dança a enormes edifícios estáticos. Ora, a dança também desafia a gravidade e a própria forma e limitações do corpo, então trabalhar com Calatrava faz o enorme sentido. O festival ”Architecture of Dance” inclui sete mundialmente premiados ballets, cinco com cenário de Calatrava. 


Entrando no site do New York City Ballet, você encontra vários registros dos espetáculos, mas também fotos de ensaios e croquis dos cenários e figurinos.









Lindo né?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Corpo + Cidade


Termina hoje o prazo para envio de trabalhos para o CORPOCIDADE - debates em estética urbana. 


A proposta do CORPOCIDADE: debates em estética urbana 2 visa, agora, politizar as
discussões iniciadas em 2008, acrescentando uma instância de ação aos debates e tomando
por pressuposto o papel da arte como criadora de novas formas de partilha do sensível. 
Pretende-se instaurar uma arena de debates para confrontação de idéias que sejam resultantes
da experimentação coletiva de hipóteses teóricas e artísticas testadas em um grupo de trabalho
no qual será experimentado um padrão colaborativo entre artistas, professores universitários e
líderes comunitários da Maré (RJ) e de Alagados (Salvador) para discutir e testar articulações
possíveis entre CORPO e CIDADE como estratégia de redesenho das suas condições
participativas no processo de formulação da vida pública em que estão implicados.

As experiências nessas duas cidades serão iniciadas com a apresentação de dois trabalhos
coreográficos que tematizam os conflitos e tensões entre corpo e cidade, sob diferentes
abordagens: Encarnado da Lia Rodrigues Companhia de Danças, no Rio de Janeiro e SIM
- ações integradas de ocupação e resistência do grupo Cena 11 de Alejandro Ahmed, em
Salvador.


Após a realização dos 2 encontros dos grupos de trabalho, serão realizados no Rio de Janeiro/
UFRJ e em Salvador/UFBA debates presenciais, para apresentação das sínteses resultantes
dos trabalhos e confrontação das experiências em cada contexto num debate aberto aos
participantes previamente inscritos e selecionados.

Todos os participantes do debate presencial receberão o caderno de provocações com textos
dos debatedores convidados e também com as provocações selecionadas de participantes
inscritos (ver formas de participação em inscrições). Os debates públicos serão transmitidos
ao vivo pela internet e haverá um blog para facilitar a participação on line à distância. Cofira
o calendário abaixo ou, para saber mais, entre no site.


INSCRIÇÕES DEBATES PRESENCIAIS: 23 de setembro a 13 de outubro
DIVULGAÇÃO SELEÇÃO PARTICIPANTES DEBATES: 30 de outubro 
ENCONTRO GRUPO DE TRABALHO RJ: 20 e 21 de novembro  
DEBATE PRESENCIAL RJ: 22 de novembro  
ENCONTRO GRUPO DE TRABALHO SSA: 27 e 28 de novembro  
DEBATE PRESENCIAL SSA: 29 e 30 de novembro

segunda-feira, 1 de março de 2010

As vitrinas da Printemps

Para a Printemps, vitrine não é um mero espaço onde se expõe as mercadorias. Elas são espaços onde sonhos são construídos, onde o espectador deve parar boquiaberto e se encantar com a beleza do que é exibido. E é sempre uma criação extremamente teatral com super produções. As pessoas vão lá às vezes só para olhar as vitrines, como assistir a um espetáculo. Isso não é particularidade da Printemps, Bonmarché e Lafayette também se esforçam, mas é a Printemps que sempre me chama mais atenção.

Dá uma olhada na vitrine inspirado em Alice no país das maravilhas:

(fotos conexão paris)

Outro momento que chamou atenção, foi quando eles anunciaram que haveria um show com as dançarinas do Crazy Horse em uma das vitrines. Resultado: um amontoado de gente disputando centímetros em frente às modelos vivas. As dançarinas fizeram a reprodução de um espetáculo famoso do Crazy Horse que se chama Horse Guards, onde representam a troca da guarda da rainha da Inglaterra.

Quer aprender mais sobre vitrine? Já falei sobre isso, veja aqui e descubra que o certo é chamar de vitrina.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Falando sobre beleza real...

Sobre o assunto beleza "real" que falei dois posts atrás, ainda há muito para falar.

Acho que o grande crescimento de blogs que tratam da moda na rua é um exemplo disso, como o Rioetc e o Sartorialist. A gente não quer mais ver só as modelos lindas e "photoshopadas" nas revistas, queremos ver pessoas normais, cheias de estilo que desfilam pela cidade. A moda da cidade também influencia e muito as passarelas! Como Érika Palomino fala em seu livro "A Moda" (leitura ótima e fundamental, para ler de uma vez só!), há uma subversão na ordem das passarelas, a moda vem da rua e a juventude tem importância enorme nisso.

"O marco zero dessa influência acontece em 1960, quando Yves Saint Laurent faz desfilar, na maison Dior, um casaco de couro de crocodilo com vison preto inspirado no look rebelde de Marlon Brando no filme O Selvagem (1954)." (pg. 45)


- os rapazes podiam não ser Marlon Brando, mas podiam usar o seu look. O cinema constrói ícones de consumo também.

"Depois, o estilista introduziria em suas coleções itens como a calça comprida, refletindo uma imagem que já estava sendo usada pelas jovens mais modernas em Londres e em Paris."

Na atualidade, além dos blogs, há uma enorme difusão de programas que acompanham as pessoas "comuns" no seu cotidiano, fazendo coisas "normais". Um programa que acompanha essas pessoas é o Esquadrão da Moda. Ele tem como pretensão pegar os cafonas e mal-vestidos que andam por aí e consertar seu visual de acordo com a opinião de especialistas em moda.

O programa é divertidíssimo, adoro, mas no fundo no fundo, ele dá um banho de loja na pessoa, mas para mudar totalmente isso já é outra história, é preciso tempo.

Falando nisso, essa semana eles tentaram pegar a Stephany e mudar suas idéias, mas foi um conflito terrível. E convenhamos, o que será da Stephany sem aquela cafonice toda? É o estilo dela! O que seria da Lady Gaga sem seus exageros? É usa imagem, sua marca!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Livros sobre moda

Para quem está disposto a uma leitura mais aprofundada, vou dar umas dicas de livros. Tem muita coisa boa e muito sendo pesquisado também. A lista é imensa, principalmente falando sobre consumo e cidade, selecionei os que mais me interessam nesse momento.

BARBOSA, Lívia, CAMPBELL, Colin. Cultura, consumo e identidade. Rio de Janeiro: FGV, 2006.
BARNARD, Malcolm. Moda e Comunicação. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.
CANEVACCI, Massimo. A Cidade Polifônica. São Paulo: Studio Nobel, 2004.
_____. Culturas Extremas: mutações juvenis nos corpos das metrópoles. Rio de Janeiro, DP&A, 2005.
CASTILHO, Kathia. Corpo e moda: por uma compreensão do contemporâneo. Barueri: Estação das Letras e Cores, 2008.
LIPOVETSKY, Gilles. O Império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
MAFFESOLI, Michel. No fundo das aparências. Petrópolis: Vozes, 2005.
_____. O tempo das tribos: o declínio do individualismo nas sociedades de massa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.
POLHEMUS, Thed. Streetstyle: from Sidewalk to Catwalk. London: Thames & Hudson, 1997.

A cidade e suas modas


A cidade é um organismo vivo, ela é espaço de circulação constante. É o lugar onde vemos e somos vistos, onde exibimos nossos corpos e suas modas. Nosso corpo é físico, mas também conta uma história sobre nós mesmos, de onde somos, gostos, preferências. Nossa postura, jeito de andar e de falar transmitem características de onde somos. Isso quer dizer também que cada cidade comunica o seu estilo de vida e a comunicação urbana é sempre dialógica, nossas recordações e interferências também fazem parte do cenário urbano.

Quando estamos no Rio (minha cidade), por exemplo, andar de havaianas, de um jeito descolado, faz todo sentido e não nos sentidos diferentes, ao contrário, somos parte do estilo da cidade. Se viajamos para Paris (ou qualquer outra cidade), nos vestimos diferentes e é mais fácil sermos identificados como extrangeiros. Assim como também identificamos facilmente os gringos que andam por aqui, seja pelo corpo, pela vestimenta ou pelo modo de andar. Mesmo considerando o contexto de globalização e a difusão de mercadorias por muitos cantos ao mesmo tempo, cada cidade tem uma identidade própria. Aliás, nossos corpos também são diferentes. No Rio há um culto ao corpo, academia de ginástica para todos os lados, enquanto em Paris as pessoas estão mais preocupadas em como vestir esse corpo.

Esse é um breve panorama, muito mais há para falar. Um pouco de cada vez, aguarde.