domingo, 31 de outubro de 2010
Inspiração do dia - parte 2
Sua entrega e dedicação à arte é incrível. Seu corpo, moldado pela dança, insiste em se manter em movimento, mesmo que o tempo tente lhe tirar sua juventude, ele troca o vigor de antes, pela experiência e presença que sempre teve, e que carisma! O espetáculo de sexta-feira no teatro municipal do rio teve também Ana Laguna, que se dedica mais à dança-teatro. Gostei muito dela também, a forma como ela desenvolve sua dança e se relacionando com seu figurino é linda, ela estende seu corpo através de sua longa saia, resultado belíssimo.
Sem dúvida, é um encontro lindo este entre Baryshnikov e Ana Laguna, 62 e 54 anos respectivamente. A técnica apurada de Mikhail, aliada a experiência, é um primor para os sentidos do espectador. O tempo passou e ele mantém a plena forma, considerando os limites naturais que possa ter hoje. E a coreografia final, onde os dois estão em cena juntos por 30 minutos, é dança pura, sem um tema exato, é o encontro de dois bailarinos que não são mais jovens. Veja um trecho abaixo.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Corpo + Cidade
Termina hoje o prazo para envio de trabalhos para o CORPOCIDADE - debates em estética urbana.
A proposta do CORPOCIDADE: debates em estética urbana 2 visa, agora, politizar as
discussões iniciadas em 2008, acrescentando uma instância de ação aos debates e tomando
por pressuposto o papel da arte como criadora de novas formas de partilha do sensível.
Pretende-se instaurar uma arena de debates para confrontação de idéias que sejam resultantes
da experimentação coletiva de hipóteses teóricas e artísticas testadas em um grupo de trabalho
no qual será experimentado um padrão colaborativo entre artistas, professores universitários e
líderes comunitários da Maré (RJ) e de Alagados (Salvador) para discutir e testar articulações
possíveis entre CORPO e CIDADE como estratégia de redesenho das suas condições
participativas no processo de formulação da vida pública em que estão implicados.
As experiências nessas duas cidades serão iniciadas com a apresentação de dois trabalhos
coreográficos que tematizam os conflitos e tensões entre corpo e cidade, sob diferentes
abordagens: Encarnado da Lia Rodrigues Companhia de Danças, no Rio de Janeiro e SIM
- ações integradas de ocupação e resistência do grupo Cena 11 de Alejandro Ahmed, em
Salvador.
Após a realização dos 2 encontros dos grupos de trabalho, serão realizados no Rio de Janeiro/
UFRJ e em Salvador/UFBA debates presenciais, para apresentação das sínteses resultantes
dos trabalhos e confrontação das experiências em cada contexto num debate aberto aos
participantes previamente inscritos e selecionados.
Todos os participantes do debate presencial receberão o caderno de provocações com textos
dos debatedores convidados e também com as provocações selecionadas de participantes
inscritos (ver formas de participação em inscrições). Os debates públicos serão transmitidos
ao vivo pela internet e haverá um blog para facilitar a participação on line à distância. Cofira
o calendário abaixo ou, para saber mais, entre no site.
INSCRIÇÕES DEBATES PRESENCIAIS: 23 de setembro a 13 de outubro
DIVULGAÇÃO SELEÇÃO PARTICIPANTES DEBATES: 30 de outubro
ENCONTRO GRUPO DE TRABALHO RJ: 20 e 21 de novembro
DEBATE PRESENCIAL RJ: 22 de novembro
ENCONTRO GRUPO DE TRABALHO SSA: 27 e 28 de novembro
DEBATE PRESENCIAL SSA: 29 e 30 de novembro
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
"Real" Beleza
Contradições do mundo da moda. Na mesma semana em que a revista americana "Glamour" e a alemã "Brigitte" anunciaram que iriam estampar em suas capas modelos mais próximas do "real", Filippa Hanilton, a modelo da Raplhp Lauren que surgiu numa campana excessivamente magra, garante que foi dispensada por ter algum peso a mais.Afinal, a moda ainda se guia pelo culto da magreza. Segundo Filippa Hamilton, o seu contrato terminou em Abril passado por ter ganho apenas alguns quilos a mais. "Disseram que eu tinha engordado e não cabia mais nas suas roupas", afirmou a manequim, de 23 anos, ao "Daily News" .
A propaganda em que a modelo parecia magra demais foi exibida somente no Japão, mas a Ralph Lauren a retirou após a polêmica em torno da imagem da jovem, além de fazer um pedido formal de desculpas.
Contactado pelo jornal, o costureiro garante que tudo não se passou de um mal entendido, sublinhando que Filippa é uma mulher "linda e saudável". "A nossa relação profissional só terminou, devido à incapacidade da modelo de cumprir as obrigações contratuais", explicou Polo Ralp Lauren.
Enquanto isso, a "Glamour" e a alemã "Brigitte" anunciaram que iriam estampar em suas capas modelos mais próximas do "real". Tudo para reconquistar as leitoras que se distanciaram por sempre se depararem com um padrão de beleza distante do seu dia a dia.
A revista "Glamour" trará em sua capa de novembro sete modelos nuas acima do peso - pelo menos para os padrões das passarelas. A publicação americana já havia feito sucesso em sua edição de setembro ao colocar a foto de uma modelo com a barriguinha à vista, a americana Lizzie Miller, 20 anos.
Já a "Brigitte", revista feminina mais popular na Alemanha, anunciou que não vai mais exibir modelos profissionais em suas páginas, substituindo-as por mulheres "comuns". A publicação alega que, ao estampar figuras magérrimas, acabou se distanciando de suas leitoras.
Na Semana de Moda de Milão, a adoção de padrões "acima das medidas" já não é novidade. Especialista em roupas de tamanhos maiores, Elena Mirò sempre apresenta suas coleções na fashion week italiana com modelos "plus size".
O desfile mais recente da estilista, ocorrido no dia 23 de setembro, contou justamente com a presença de Lizzie Miller, a mesma que causou polêmica - e também recebeu muitos elogios - ao exibir nas páginas da "Glamour" os "pneuzinhos" salientes.
Em meio a essa polêmica, um grupo de parlamentares franceses colocou em discussão um projeto de lei para limitar o uso abusivo do Photoshop. Sob a proposta, toda imagem modificada que for publicada no país em anúncios, notícias ou embalagens de produtos deverá trazer um aviso. Quem descumprir a regra estaria sujeito a uma multa de US$ 55 mil ou até 50% do custo da campanha.
Na verdade, eu acho que a beleza "real" é muito relativo. O padrão está sempre mudando e muda também em diferentes cidades. E mesmo dentro da mesma cidade, por exemplo, na zona sul do Rio de Janeiro, a preferência é por um corpo mais magro e saudável, enquanto que em outras regiões da cidade, os homens e mulheres preferem um corpo mais arredondado.
E mesmo as gordinhas também podem ser "photoshopadas". Afinal, o que vai sair na revista é uma gorda bonita, com formas proporcionais. Essas gordinhas reais também são selecionadas. E essa questão não é nenhum pouco nova, olha a campanha da Dove pela beleza Real:
A questão é: os padrões de beleza no mundo editorial da moda estão em xeque? Mas não sempre foi assim? Nos anos 50 Marilyn Monroe fazia sucesso com suas curvas volumosas, aí veio a Twiggy, magra igual uma tábua. Nos anos 90, na época em que Cindy Crawford, Claudia Schiffer e Naomi Campbell faziam sucesso, conhecidas por serem altas e terem corpos curvilíneos, veio Kate Moss como uma "anti-modelo". E depois, Ann Wintour declara a volta às curvas com Gisele Bündchen. E as modelos brasileiras se destacam.
terça-feira, 23 de junho de 2009
O corpo da moda
O padrão de corpo belo ideal sofreu e ainda sofre inúmeras transformações ao longo dos anos. A “beleza” já foi mais arredondada, já foi mais comprida e voltou a ser arredondada. Mulheres com gordurinhas sobrando eram cobiçadas e as marcas dos pneuzinhos faziam os homens virarem o pescoço. Hoje em dia as magras ocupam as revistas, mas dependendo do tipo de mídia o corpo ideal também muda. Nas passarelas da alta costura o que reina é o tipo longilíneo e extremamente magro, mas em revistas sobre a boa forma, o corpo mais musculoso é o preferido.
Dependendo da localidade, a preferência também muda. No Brasil, por exemplo, a “bunda” é conhecida como preferência nacional, enquanto nos Estados Unidos a fartura dos seios ganha destaque. E isso ocorre dentro de cada país ou mesmo dentro de uma mesma cidade. Na contemporaneidade há diferentes formas de beleza, o que não quer dizer que não existam resistências a essas “tendências”.
Seguindo esse modelo de “beleza”, criou-se o corpo perfeito para “desfilar” a roupa. A moda ocidental, como uma instituição que cria tendência e define padrões, tem um molde pré-concebido do corpo ideal, aquele que deve ser exposto nas revistas e passarelas. Esse modelo atualmente exalta a magreza como característica de um corpo perfeito. No entanto, algumas reações vêm acontecendo nas passarelas européias. A primeira “Semana de moda” a levantar a polêmica foi a de Madri em 2006, um dos eventos mais prestigiosos da Espanha, porém considerado de pouca importante d
entro do quadro de moda europeu.
Segundo o site da BBC Brasil, as modelos com índice de massa corporal (IMC) - adotado pela Organização Mundial de Saúde para o cálculo do peso ideal de cada indivíduo - inferior a 18 kg/m², foram proibidas de desfilar no evento pela Associação Espanhola de Estilistas de Moda. A presença de modelos consideradas magras excessivamente nas passarelas levou a protestos de médicos e grupos de defesa dos direitos das mulheres. Das potenciais participantes 30% não passaram no teste para a série de desfiles. O governo espanhol justificou a atitude dizendo que quer criar uma imagem mais positiva da beleza para adolescentes, pois a moda é um espelho para adolescentes. (BBC Brasil online, 13 set 2006)
Após essa restrição alguns setores do mundo da moda expressaram indignação. Cathy Gould, da agência de modelos de Nova York Elite, disse que a indústria da moda está sendo usada como bode expiatório para doenças ligadas ao peso. "Eu entendo
que eles queiramestabelecer o padrão de mulheres saudáveis bonitas, mas a discriminação é contra a modelo e a liberdade do estilista?", perguntou ela (idem).
Por outro lado, a atitude teve uma resposta favorável por alguns setores da moda. A Semana de Moda de Milão do mesmo ano lançou um código de conduta contra modelos “anoréxicas”. A ação se repetiu no ano de 2007, quando a roupa de número equivalente ao 36 brasileiro foi abolida das araras e ainda foi distribuída uma cartilha especial com informações básicas sobre como reconhecer sinais de bulimia e anorexia. Além disso, as peças mais ousadas, com decotes generosos na frente ou com as costas nuas, foram vestidas por modelos que não exibiam omoplatas sobressalentes ou costelas à mostra.
O Brasil, no entanto, parece querer continuar com o padrão “anoréxico” nas passarelas. A questão sobre a magreza gerou debate, mas não alterou o “uso” de modelos extremamente magras. A maior polêmica foi motivada pelo inglês Michael Roberts na Fashion Rio de fevereiro de 2008, segundo informa a Folha de São Paulo. O fotógrafo, que trabalha para a revista Vanity Fair, disse ser uma vergonha não encontrar negras desfilando e estar surpreso pelo Brasil não aproveitar sua diversidade. O styling Felipe Velloso, que escolheu modelos de três desfiles se defendeu argumentando que adoraria ter negras na passarela, mas há poucas na profissão (Folha de São Paulo, 06 jun. 2007).
Em 2009, a polêmica ficou por conta do acordo que a organização da São Paulo Fashion Week (SPFW) assinou com o Ministério Público Estadual, se comprometendo a incentivar as grifes a contratar 10% de modelos afro-descentes e indígenas para os desfiles. A medida, chamada de “termo de ajustamento de conduta”, dividiu opiniões dos estilistas, das agências de moda e das próprias modelos. (Lilian Pacce, 22 mai, 2009)
Segundo a promotora que propôs a idéia, Déborah Kelly Affonso, o percentual de modelos no evento, em torno de 3%, é bem menor que o de brancos e seu objetivo é fazer um acordo de inclusão social. Paulo Borges, diretor da semana de moda paulista, avisou por meio de sua assessoria que o fato de ter adotado um filho negro deixa claro, por si só, sua posição política contra o racismo. Já Gloria Coelho está entre os que defendem que a imposição da cota de modelos negros na passarela pode interferir na obra do estilista. (idem)
O estilista Lino Villaventura teme que não haja modelos negras suficientes para atender a exigência o que pode levar a um aumento do cachê das meninas disponíveis. Dudu Bertholini, designer da grife Neon, classificou a iniciativa como “hipócrita”. “Acho preconceituoso, um absurdo. Desse jeito são as autoridades que provocam a segregação, pois essa medida vai constranger as modelos negras”, diz o estilista. “As meninas se sentirão desconfortáveis, sem saber se foram escolhidas por terem talento ou por causa de uma obrigatoriedade política hipócrita”, completa. (idem)
Bertholini, que garante não utilizar o critério racial ao selecionar as tops que desfilarão para sua grife, afirma que não existe preconceito no meio fashion. “Não é justo apontar o dedo na cara da moda e dizer que há discriminação. Há 40 anos o Yves Saint Laurent já colocava modelos negras na passarela”.
Moisés Júnior, booker da agência Ten Models, vê de maneira positiva a medida tomada pelo Ministério Público. “Claro que a situação em relação há dez anos melhorou muito. Mas, infelizmente, as oportunidades de trabalho para as modelos negras continuam escassas”, opina. “A procura das grifes por afro-descendentes é mínima. Posso dizer, de maneira geral, que de dez castings que aparecem aqui por semana, um ou dois são direcionados para as negras”. (idem)
Nos Estados Unidos, após a posse do primeiro presidente negro, Barack Obama, a revista Vogue América quadruplicou o número de páginas destinadas às modelos afro-descendentes. Considerada um termômetro editorial no mundo, a publicação tem vocação para mexer com o mercado: a revista tem o maior poder comercial de todo o mundo da moda. Segundo o site da SPFW, nos primeiros quatro meses de 2008, a Vogue América disponibilizou 14 páginas divididas em apenas duas ediçõesdedicou 90 páginasMichele Obama e Beyoncé, respectivamente. (SPFW, 09 abr, 2009) (janeiro e março) para modelos negras. No mesmo período de 2009, pós-eleição de Obama, a mesma revista às afro-descendentes (uma média de 22,5 páginas por edição), sendo que duas dessas edições (março e abril) tiveram como capa personalidades negras -
Dessa forma, percebe-se que a moda também pode ser usada como forma de contestar e criticar as identidades. Foi o que fez o movimento punk, com suas peças de roupa detonadas e chocantes, feitas para provocar a burguesia. Mas a moda sempre sai ganhando, tanto que a estética punk passou de contestação a artigo de luxo, explorada e banalizada por diversas grifes. Da mesma forma, enquanto no passado o uso do sutiã era tido como um símbolo da escravização da mulher pela moda, atualmente é a ausência desta peça que causa incômodo nas feministas mais radicais, revoltadas com a exploração do corpo feminino.
[1] O IMC é calculado dividindo o peso pela altura ao quadrado. Uma pessoa que pesa




